Picar a Pedra Museu das Azenhas

“Quando as mós estavam prontas para picar, preparava-se uma mistura da fuligem das chaminés com água. Molhava-se com esta mistura um perfil de uma régua de madeira que estivesse nivelada. Esta régua tinha de ter um comprimento superior ou igual ao diâmetro da mó. Passava-se então a régua do lado que tinha a “tinta” preta por toda a superfície da mó, ficando marcados os pontos mais altos que identificava exatamente os nódulos que tinham de ser picados e desbastados para abrir o dente à mó. Esta expressão significava que a mó ficava pronta para se obter uma farinha de qualidade. Era um trabalho de muita perícia, saber e paciência.

Os utensílios mais usuais e indispensáveis para a picagem eram o picão e a picadeira – esta indicada para a picagem das estrias. As estrias eram picadas, não por este processo de pintura, mas de forma a ficarem também com “dentes” todos de igual altura e com as arestas direitas e alinhadas na diagonal ao longo da face mó. A picagem era feita obrigatoriamente nas duas mós. As estrias tinham a função de encaminhar devidamente o grão, aumentar a qualidade da farinha, além do arejamento entre as mós.

Nas moagens elétricas havia a necessidade de um outro tipo de arejamento mecânico mais sofisticado que funcionava através de uma ventoinha, acionada pelo motor”.

* Adaptação do testemunho oral do seu filho José Acto Lopes